Novo episódio: Didi
“Nos meus quase oito anos de Portugal, tive chances de viajar pelo interior e entender que podemos ser muito parecidos diante das nossas diferenças do que imaginava”
DJ e artista multidisciplinar, Diego Cândido, mais conhecido como Didi, tornou-se uma referência da cultura negra, queer e imigrante de Lisboa, onde aterrou depois de vários voos internacionais, que encontraram em Nova Iorque um destino de expansão identitária. Hoje coletivamente alicerçado nas “Afrontosas” e na “União Negra das Artes”, o também pesquisador brasileiro conta, neste episódio d’ “O Tal Podcast”, como as viagens o ajudaram a reconstruir a ideia de família e de casa.
Começou por romper fronteiras em 2009, graças ao curso de Direito. Quase 18 anos depois, o convidado de Georgina Angélica e Paula Cardoso vê na primeira viagem a Nova Iorque, concretizada no âmbito do projeto “Ciências sem Fronteiras”, uma mudança de rota vital.
“Não consegui mais parar”, revela o DJ e artista multidisciplinar, fundador do “Coletivo Afrontosas”.
Sempre em movimento, Didi tem percorrido milhas desde a formação nova-iorquina em “Business Management” (Gestão de Negócios), procedida, entre outros destinos, de voos para o Canadá e Londres, antes da chegada a Portugal.
Há cerca de oito anos no país, o brasileiro recorda, neste episódio d’ “O Tal Podcast” os planos académicos que trazia na bagagem.
“Cheguei [a Lisboa] para fazer um mestrado. Na época, queria tratar de temas que eram a base da minha forma criativa, artística, queria falar sobre movimentos negros a partir da perspectiva queer, da população LGBTIQI+. E ‘levei’”.
Cabe nesse “levei” uma série de embates que teve de enfrentar, diante da pouca ou nenhuma abertura que encontrou na Academia, para investigar as questões que o mobilizam.
O revés académico não travou, contudo, a vontade de encontrar respostas para uma pergunta que coloca desde o primeiro dia em Portugal: “Cadê elas? Onde estão as pessoas negras queer?”.
A interrogação deu lugar a um dos projetos desenvolvidos pelas “Afrontosas”, que permite reconhecer que essas presenças sempre existiram – e resistiram.
“Aos poucos, com muito auxílio dos movimentos negros, de pessoas diversas do próprio movimento LGBT, contamos essa história”.
Enquanto se resgatam referências do passado, Didi partilha como se está a construir história no presente, nomeadamente a partir da UNA – União Negra das Artes, via não apenas de organização, mas de “encontro afetivo”, apontado como uma das peças-chave para superar fronteiras geograficamente impostas.
“A imigração possibilita construir de novo, estreitar laços de formas até mais presentes, fortes e frutíferas do que os laços de sangue”, defende o DJ, surpreendido com a casa que encontrou em Lisboa.
“Vi-me apadrinhado por uma realidade que nunca imaginei encontrar, a partir do meu companheiro e da minha base coletiva, grandemente instituída pelo Coletivo Afrontosas”.
À experiência lisboeta juntam-se vários trânsitos de reconhecimento humano pelo país. “Nos meus quase oito anos de Portugal, tive chances de viajar pelo interior e entender que podemos ser muito parecidos diante das nossas diferenças do que imaginava”




