Novo episódio: Felso Ganhane
“Trabalhei com migrantes e refugiados. Foram 40 e tal nacionalidades em cerca de quase quatro anos. Despi-me de muitos estereótipos e preconceitos”
Natural de Maputo, capital de Moçambique, Felso Ganhane sonhava, desde criança, construir edifícios. Foi esse objectivo que o levou a estudar no Instituto Industrial 1º de Maio, ainda na terra natal, e mais tarde a mudar-se para Castelo Branco, onde tirou o curso de Engenharia Civil. A experiência aproximou-o do associativismo, território de descoberta de uma nova vocação, partilhada neste episódio d’ “O Tal Podcast”, entre reflexões sobre os desafios da migração.
O envolvimento em projetos comunitários despertou em Felso o interesse por causas sociais e políticas públicas, levando-o a prosseguir estudos em Ciência Política e Relações Internacionais.
Foi no contexto associativo que começou a trabalhar com migrantes e refugiados de mais de 40 nacionalidades, vivência que o levou a questionar estereótipos e preconceitos e o instigou a construir pontes entre diferentes comunidades. “Não há nada maior do que a satisfação de olhares para o teu entorno e perceberes: ‘Consegui impactar imensa gente.’”
Em 2020, a participação na Academia Ubuntu revelou-lhe a filosofia do “eu sou porque tu és”, que descreve como transformadora, enquanto via a consolidação da ideia de uma vida orientada pelo serviço aos outros e pela construção de pontes. O percurso acabaria por levá-lo à representação da Comissão Europeia em Portugal — onde trabalhou com jovens na promoção do projeto europeu — e também à comunidade Global Shapers, iniciativa do Fórum Económico Mundial.
Atualmente, concilia esta intervenção com o empreendedorismo tecnológico, sendo cofundador da SpectrAll, uma startup que utiliza inteligência artificial para apoiar a conformidade regulatória em cibersegurança de infraestruturas críticas.
Pai de uma filha, explica que a paternidade redefiniu as suas prioridades. “Os meus propósitos passam principalmente por ser bom pai”, afirma, acrescentando que a responsabilidade de deixar um mundo melhor para as gerações futuras reforçou o seu compromisso com a procura de soluções.
Nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, Felso Ganhane reflete ainda sobre a infância em Moçambique e o choque de chegar a Castelo Branco, os desafios da integração de migrantes na Europa, a importância da representatividade e a necessidade de arregaçar as mangas. “Podemos ser sempre adeptos e treinadores de bancada. Outra coisa é estar disposto e disponível a fazer acontecer, e querer ser parte da solução.”




