Novo episódio: Marco Aurélio Mendes
“As lideranças estratégicas cada vez mais serão entregues a mulheres. Isto é uma revolução que África irá viver nos próximos anos”
O convite para pisar o palco da TEDxLuanda deu um novo rumo à vida de Marco Aurélio Mendes. Filho de angolanos, nascido no Algarve, o gestor e empreendedor conta, neste episódio de “O Tal Podcast”, o que o levou a trocar Portugal por Angola, há quase 15 anos. Nesta conversa, recorda também como sobreviveu a uma malária muito grave, encontrou na adoção uma nova forma de olhar o mundo, e se tornou aprendiz e mestre de liderança.
O título do livro é provisório – “Sonhalidade” – e, antecipa Marco Aurélio Mendes, nele caberão os primeiros 50 anos da sua história de vida, demarcada pela “linha que separa o sonho da realidade”. Ainda em fase de “rabisco-sarrabisco”, conforme o gestor pré-cinquentão faz questão de assinalar, a autobiografia apresenta 2016 como um ano de renascimento.
De volta a esse período, o convidado desta semana de Georgina Angélica e Paula Cardoso recorda os efeitos de uma malária muito grave. “Estive três meses no hospital, perdi um pouco da audição, cabelo, 18 quilos, e toda a massa muscular. Acho que só fiquei a 100% dois anos depois”.
A experiência, com passagem por 10 dias de coma induzido e sessões de hemodiálise, impulsionou velhos planos familiares.
“Se Deus me deu uma segunda oportunidade de cá estar, achei que devia dar corpo a este sonho: entrámos no processo de adoção”.
Juntamente com a mulher, Nancy, Marco, à época já pai de Francisca, tornou-se também pai de Alexandre, e, mais recentemente, de David.
“Vou no terceiro filho, e todos me fizeram mudar”, nota o empreendedor, lembrando uma das primeiras lições que recebeu quando decidiu adotar.
“Uma coisa que a psicóloga nos disse é que não se escolhe. Escolhe-se uma mercadoria, as crianças sinalizam-se”.
É também ao círculo familiar que o convidado deste episódio de “O Tal Podcast” vai buscar uma das aprendizagens mais estruturantes da sua liderança.
“Mal cheguei [a Luanda], estava a criticar a equipa e o meu pai disse: ‘não te esqueças que, quando chove, a rua de boa parte destas pessoas vira um rio. Se calhar algumas meninas tiveram que ir buscar água para tomar banho. É importante que penses nisso”.
Mais do que refletir, Marco começou a questionar quem são os trabalhadores que tem a responsabilidade de gerir.
“Onde e como vivem? Porque se vivem oito pessoas dentro de um quarto, o sono não é tranquilo”, diz, por um lado; enquanto, por outro, observa: “Comecei a perceber que era complicado desenhar um caminho a três anos, quando a pessoa ao meu lado só está a pensar em como consegue 200 Kwanzas para ir para casa”.
Cada vez mais atento a quem o rodeia, o gestor transforma as experiências de liderança em conversas, integradas no podcast “Performance 360”.
“Muitas empresas acham que construir ADN é ir buscar os quadros da concorrência que já trabalham bem”, aponta, questionando a estratégia: “Vais trazer o ADN da concorrência, e não constróis o teu?”.
Confiante no potencial do denominado continente-berço, que apresenta como “o diamante da Humanidade”, Marco Aurélio Mendes considera que “as lideranças estratégicas cada vez mais serão entregues a mulheres”, num movimento que vê como “uma revolução que África irá viver nos próximos anos”.
Qual será o papel de Angola nesta transformação?




