Novo episódio: Maria Assunção Fernandes
“Agradeço ao universo por esta visão que tenho. Não demoro muito ao pé das pessoas para perceber o que a comunidade precisa”
Maria Assunção Fernandes Lopes Tavares, mais conhecida como “São”, nasceu em Fundura, no interior da ilha de Santiago, em Cabo Verde, e emigrou para Portugal com 22 anos. A convidada deste episódio d’ “O Tal Podcast” cresceu numa família onde o serviço à comunidade fazia parte do quotidiano – os pais eram catequistas e ensinaram-lhe, desde cedo, que ninguém constrói nada sem os outros. “Não fazemos nada sozinhos. Temos que ter sempre alguém a apoiar, de uma forma ou de outra”.
Ao chegar ao bairro da Pedreira dos Húngaros, entretanto demolido, São deparou-se com uma realidade que a inquietou: a falta de oportunidades para crianças e jovens, e uma forte segregação social. Sem recursos, mas movida pela vontade de fazer a diferença, recuperou a paixão pelo andebol que tinha desenvolvido na juventude, e lançou um projeto que viria a mudar centenas de vidas. “Começámos a treinar num campo de futebol, um descampado. No início nem tínhamos bolas”, recorda.
O que começou com algumas raparigas curiosas tornou-se um espaço seguro de crescimento, pertença e desenvolvimento pessoal. Ao longo dos anos, o desporto abriu horizontes, fortaleceu a autoestima de muitas jovens filhas de imigrantes e ajudou-as a desenvolver competências que transportaram para a vida adulta.
Paralelamente ao trabalho comunitário, São nunca desistiu da sua formação. Entre a família, o emprego e os treinos, estudou à noite para completar o ensino secundário e, mais tarde, ingressou na universidade. Licenciou-se em Serviço Social e concluiu um mestrado com uma tese dedicada ao impacto do andebol na integração social de jovens raparigas. “A [autoestrada] A5 foi onde eu estudei mais, de noite, de madrugada”, conta, lembrando os anos de esforço e perseverança.
Neste episódio, fala também sobre os projetos que continua a dinamizar, como o grupo de mulheres “As Marias”, e os Centros de Apoio ao Estudo em bairros municipais de Oeiras, onde procura criar novas oportunidades para crianças e famílias. Reflete ainda sobre os desafios pessoais que enfrentou ao longo do caminho, incluindo os sacrifícios familiares que a sua dedicação exigiu. “Em alguns momentos, esqueci-me dos meus filhos. Dos filhos dos outros, nunca me esqueci”, confessa com honestidade.
Entre histórias de resiliência, liderança e serviço, São Fernandes partilhou com ‘O Tal Podcast’ a visão que orienta a sua vida: a crença de que a empatia, a educação e o trabalho coletivo têm o poder de transformar comunidades. “O universo ajuda quando a pessoa trabalha com sinceridade, com empatia.”




