Ator, realizador e artista multidisciplinar, o guineense-português Welket Bungué é o convidado deste episódio d’ “O Tal Podcast”, no qual se cruzam as diferentes geografias, linguagens artísticas e cinematografias que marcam o seu percurso. Profissionalmente dividido entre Portugal, a Alemanha e o Brasil, Welket tem integrado várias produções internacionais, destacando-se o papel em “Crimes of the Future”, de David Cronenberg, que chegou à competição oficial do Festival de Cannes, mas não o projetou junto da imprensa portuguesa.
A espiritualidade e a procura de um maior conhecimento de si próprio ganharam um lugar central na sua vida. Depois de uma experiência traumática vivida em 2023, no Rio de Janeiro, Welket iniciou um processo mais profundo de autoconhecimento, aproximando-se de diferentes tradições filosóficas, espirituais e conhecimentos ancestrais.
Ao “O Tal Podcast”, fala sobre a reprogramação da mente, a intuição, a oração, a gratidão e a importância de reconhecer tanto a luz como a sombra que existem em cada pessoa. “Quando se trabalha para ascender espiritualmente, isso implica agir conscientemente, praticar atos de bondade, às vezes sacrificando-te pelos outros, e isolares-te para meditar e ouvir o teu coração, o teu Eu Superior - essa mente universal e cósmica que pode dialogar connosco quando estamos em silêncio”.
Para o convidado desta semana de Georgina Angélica e Paula Cardoso, “o tempo é espiralar, circular e multidimensional”, e a forma como o vivemos não pode ser dissociada da cultura, do lugar, e da nossa própria compreensão de identidade. Questionando a lógica da produtividade associada às oito horas de trabalho, Welket defende a necessidade de recuperar tempo para cuidarmos de nós.
É também a partir do seu próprio percurso que olha para o mundo artístico português. O esforço necessário para conquistar as oportunidades que lhe chegaram, a entrada no Conservatório e, mais tarde, a chegada a Cannes fizeram-no repensar a ideia de meritocracia e aquilo que está, ou não, ao alcance de um artista negro em Portugal. “Para ter uma oportunidade igual à dos meus pares, teria de trabalhar a 300% e não apenas a 100%”, afiança.
Aliás, mesmo depois de integrar o elenco principal de um filme de David Cronenberg em competição oficial em Cannes, sentiu que o reconhecimento em Portugal ficou aquém do que esperava. Hoje, aponta que um dos problemas do país é “a incapacidade de absorção do talento dos filhos e das filhas que são produzidos neste território”.
Entre a experiência e a transformação, Welket encontra na arte uma forma de transmutar o que viveu e de o devolver aos outros, ao mesmo tempo que vai demarcando o ofício de ator, da sua missão de vida. “A missão é perceber como, através do teu ofício, alavancas o que há de melhor nos outros”.




