A quinta temporada
O Tal Podcast continua ímpar, mas com a responsabilidade consciente.
A mudança do mundo acontece sempre a duas velocidades: a uma nem se reconhece o mapa, as vozes, as ideias e a forma como se expressam; a outra, mais lenta, tudo permanece igual e resistente à passagem inexorável do tempo.
A simultaneidade destes dois modos de existência é difícil de compreender e de aceitar – gera polémicas infindáveis entre extremos de optimismo ou pessimismo absoluto, ambos impossíveis perante a realidade de um mundo paradoxal. A tecnologia acelera o dilema, a política multiplica-o. Como é possível tanta novidade sem transformação?
As primeiras quatro temporadas d’O Tal Podcast foram uma missão, um ensaio, um reconhecimento e uma abertura de espaço comum.
Na voracidade digital e mediática, registámos um lugar primeiro e seguro para conversas inéditas em português – de amor, de feminino, de negritude e de orgulho, e de poder. O acolhimento foi e continua a ser daquelas boas surpresas que revela o quanto há para vencer, para dizer, para tornar visível e normal uma presença ancestral e fundadora desse universo difuso a que ainda chamamos lusofonia.
No Expresso, a maior plataforma de podcasts em Portugal, a quinta temporada trazia, por definição, novos e mais complexos desafios. Como crescer sem esquecimento? Como ser pequeno sem ser insignificante?
Ao longo dos últimos 52 episódios, amplificámos a missão: a cada semana, trouxemos mais histórias notáveis de vidas quotidianas a uma luz maior, mais brilhante, mas que em muito ainda gira à lenta velocidade da transformação nacional.
O Tal Podcast continua ímpar, mas com a responsabilidade consciente, activa e duradoura que só a cultura original permite. Iniciamos, amanhã, um novo ciclo de escuta e de palavra que queremos sempre colectivo e cada vez mais inclusivo.
A sexta temporada vai para o ar na dupla velocidade, no centro do paradoxo.



